Posted by : Shiny Reshiram 21 de fev. de 2023



O sol do meio-dia atingia a superfície calma das águas, fazendo estas refletir sobre todo o horizonte como um manto de purpurina. Ela sabia que estava um pouco atrasada nas suas tarefas domésticas, mas não se importava. Com sorte, graças ao bom tempo daquele dia, a roupa já se encontraria toda seca a meio da tarde.


A mulher encarou a paisagem breves instantes, antes de retornar a sua rotina. A roupa que pendurava pouco a pouco no estendal balançava com a suave brisa que provinha do mar. Tentava fazer com que as peças mais longas não roçassem no seu avental cheio de farinha, o que era uma tarefa praticamente impossível, mas não se deixou abalar por isso.


              Nunca se cansara da paisagem que Cabo Poco tinha para oferecer. A senhora Haruka amava acordar bem cedo graças aos piar dos Wingull que esvoaçavam sobre a falésia, e ser embalada pelas ondas rebentando na costa nas noites mais tempestuosas. Há cerca de vinte anos que se instalara naquela casa pacata do litoral, e, pelo menos para ela, não existia melhor moradia.


Uma rapariga de pijamas sujos e cabelo castanho todo emaranhado surgiu debaixo do alpendre das traseiras da casa. A mulher olhou a jovem de cima a baixo, com um pequeno sorriso na face para a receber. A jovem tinha a típica cara de quem acabara de vir de uma longa noitada com amigos.




Buenos días, mi madre – saudou-a, quando a mais velha a encarou.


A senhora Haruka virou sua atenção novamente ao estendal, colocando a mola de madeira na última peça de roupa que precisava de estender na linha. Só então respondeu-a.


Buenos días, Juliana, como estás hoje? Dormiste bem? – a mulher estava  pouco insatisfeita pela irresponsabilidade da filha no incumprimento de seus horários, mas procurou o disfarçar com um tom de voz agradável.


Ainda ensonada, a jovem levou a mão à testa, como quem tinha uma grande dor de cabeça logo depois de acordar num mundo novo. Endireitou parte dos seus cabelos emaranhados. A mãe fitava o seu comportamento e o estado lastimável dos seus pijamas, todos cheios de nódoas e terra.


Só naquele gesto da filha, a mãe obteve a resposta que sabia que iria ouvir.


– Que horas já são?... – questionou a jovem, em voz baixa.


A mulher passou o seu olhar por leve no relógio de pulso, e respondeu à filha pouco antes de segurar na cesta de roupa vazia.


– Meio-dia, certinhos – agora, o tom de voz da mulher não pareceu assim tão agradável.


– humm… Porque não me acordas-te mais cedo para eu te ajudar nas tarefas domésticas?...


– Não tivesses ficado acordada até tanto tarde. Sabes bem que tens que mudar os teus hábitos.


– Mas mãe… Eu não podia perder a live da Líder de Ginásio Iono por nada! – Juliana começou a teimar.


– Vais começar as aulas na Academia. Férias não duram para sempre, querida.


– Mas era o combate mais cobiçado do século e…


Enquanto ouvia a desculpa dada, balançou a cabeça, tentando compreender as modas dos jovens dos tempos de hoje, mas a senhora Haruka sabia perfeitamente que não fora isso que sua filha andara a fazer na noite passada. Ouvir tamanha mentira a deixou ainda mais insatisfeita. Acordara bem-disposta num belo dia como aquele, e agora precisar de mandar sua criança lavar a boca com sabão.


– Um combate às cinco da manhã, não me digas… – desdenhou. – E então a caçada ao Cyclizar estranho? Aposto que o teu quarto está cheirando pior que um alambique. Se eu descubro que andas mesmo metida no álcool…


Juliana revirou os olhos. Para a mãe, as caçadas ao bicho que incomodava as noites de Cabo Poco e Los Platos eram sempre sinónimo de noitadas e regresso tardio a casa sem sua autorização.


– Mãe, eu juro que eu o vi! – disse, ainda com a mão na testa, e tentando desviar o assunto ‘’álcool’’. –  Eu levei estes pijamas para a praia, por isso estão sujos. Vais começar outra vez com isso?


– Eu sei que é real, eu também o vi, estava contigo numa dessas vezes, lembras-te Juliana? – comentou. – Mas quando vais começar a assumir mais algumas responsabilidades? Depois não fiques para ai a choramingar pelos cantos depois de fazeres as coisas sem noção das consequências, como é o costume.


 Juliana e sua mãe tinham um relacionamento normal entre mãe e adolescente, pois suas personalidades e pensamentos vez ou outra entravam em conflito. O tom da senhora Haruka até que não era um tom assim tão zangado por ai fora. Era o típico tom de voz de uma mãe exaltada que se preocupava, mesmo que ela nem sempre conseguisse expressar da forma mais correta.


Mas para a filha… Nem todos os jovens gostavam de conselhos, levar sermão dos pais, como eles costumavam chamar a isso por palavras menos agradáveis.


…fazer as coisas sem noção das consequências… pfff… – Juliana imitou a voz da mãe, e a mulher não gostava nada quando a filha a provocava dessa maneira.


Antes da mãe e filha iniciarem uma briga matinal de argumentos e desculpas que podia atingir outras proporções, um grupo de Pokémon papagaios chamados Squawkabilly pousaram no telhado da casa.


Os Squawkabilly começaram a fazer uma grazinada infernal, pedindo migalhas de pão ou berries que lhes eram sempre entregues. E com o piar deles, ouviu-se a campainha da casa a tocar em alto e bom som.


A mulher abriu a boca para dizer algo mais à sua filha, mas esta se fechou completamente após ouvirem o som típico da semana, pois ela ainda não lhe tinha dito o mais importante no seu ‘’sermão’’. Agora preferia deixar que a filha descobrisse sozinha.


Juliana olhou para os papagaios, que, agitados, piavam na direção do lado frontal da casa, denunciando visitas.


– Clientes na nossa loja? Hoje? – Juliana disse, admirada. O barulho súbito a despertou mais à realidade.


A mulher de avental cheio de farinha sacudiu o pó branco que cobria suas roupas. Juliana olhou para ela.


Fazeres as coisas sem noção das consequências… A jovem engoliu as palavras, ao se aperceber o que elas queriam dizer naquele contexto.


– Mãe… Que dia é hoje? Diz-me que ainda é domingo…


– É melhor voltarmos para dentro… – comentou Haruka, apontando para a porta da casa – Não quero deixar mais clientes esperando.


Apesar da mulher se afastar devagarinho, a filha, num impulso, agarrou-a pelos braços, encarando-a com os seus olhos embriagados envoltos em pânico.


– MÃE. DIZ-ME QUE AINDA É DOMINGO!


A mulher manteve os modos, para não se zangar mais com a filha por causa daquele gesto impulsivo muito mal-educado. Não ia mentir que, com o aperto, Juliana a magoara um pouco no braço, mesmo que fosse sem intenção.


 – Terça-Feira. É o segundo dia consecutivo que faltas ao teu primeiro dia na Academia, filha… – disse, com um suspiro que mais lembrava um pesar.


Juliana, numa pontada de nervosismo, soltou um suspiro ainda mais considerável do que o suspiro da mãe.


Apesar da sua rebeldia, ela reconhecia tudo o que a sua mãe tinha dado e tudo o que ela tinha poupado até ali para conseguir a vaga na melhor e maior Academia da região, pois rezava que a filha tivesse uma oportunidade melhor para o seu futuro.


Apesar de não ser amante de estudos e de não lhe agradar nada a ideia de acordar cedo e ir para Mesagoza todos os dias, Juliana sentia obrigação nessa tarefa… Pela sua mãe.


Então, seguiu na direção da porta da casa atrás dela, cabisbaixa.


Choramingar depois de fazer as coisas sem noção das consequências… Era mesmo o seu costume.



A porta dos fundos fora dar diretamente à cozinha da casa, onde a verdadeira magia acontecia no topo daquela falésia. Era notável a quantidade de sacos espalhados por cima das bancadas que, apesar de um pouco sujas de farinha, ainda davam à cozinha e suas paredes um charme próprio, que se enquadrava com a beleza do jardim exterior em perfeição.


Podia-se dizer que a entrada de ambas fora silenciosa, se as duas humanas estivessem sozinhas.


A pequena padaria Sonhos de Dachsbun era conhecida em Cabo Poco e Los Platos por seu elemento particular: a mãe de Juliana, a proprietária daquele negócio, ajudava Pokémon abandonados ou feridos que encontrava pelas ruas a se readaptarem.


Muitos desses Pokémon ajudavam na cozinha da padaria até ficarem saudáveis e encontrarem um novo lar. Eram da mais variada espécie que se podia imaginar realizando um trabalho daqueles, e, quem consumia o que era produzido nesta padaria, sempre dizia que o sabor tinha um toque diferente e especial pelos cozinheiros serem, na sua maioria, Pokémon.


Mal a porta dos fundos fora aberta, um pequeno Skwovet com as bochechas cheias de bolachas desceu a parede e recebeu a dupla com excitação. Entre as bolachas, estava um pequeno temporizador em formato de Capsakid, que entregara à dona.


– A fornada está quase a sair? Obrigado por avisar, Senhor Nozes, meu pequeno – dona Haruka agradeceu-lhe com uma caricia. – Mas agora tenho que atender os clientes.


Senhor Nozes fez um barulhinho e então voltou a tomar o seu posto em cima das prateleiras dos temperos. Apesar dos Skwovet serem gulosos e muitas vezes vistos como irrelevantes, ali dentro aquele Skwovet era o segundo que estava no comando, auxiliando o chefe nas decisões que a cozinha tomava.


Sonhos de Dachsbun tinha esse nome, pois, por debaixo da prateleira que era o posto do Skwovet, estava deitado um Dachsbun muito velho, cuja pelagem já não era tão brilhante como a dos Dachsbun juvenis. Seu nome era Manjar, e fora o primeiro Pokémon da mãe de Juliana, e, portanto, assumia a ordem em todo o local, apesar de, no momento, estar a tirar uma pausa, pois a sua idade avançada já não o tornava tão ativo como antes era.


A campainha tocou outra vez, quando o temporizador do forno decidiu tocar. Foi possível ouvir, lá fora, os Squawkabilly iniciando seus piares de excitação mais uma vez. Manjar agitou-se na sua cesta, dirigindo um latido soturno a outro Pokémon que trabalhava na cozinha.


– Já vou! Já vou! – dona Haruka disse, num tom mais alto que o usual. A casa era pequena, como também a cozinha, de certeza absoluta que quem tocara a campainha ouvira lá fora a voz do seu aviso.


A senhora Haruka dirigiu-se para o exterior em passos apressados, deixando a fornada nova a cargo de um Pokémon cor de rosa, conhecido por Tinkatuff, a quem o chefe Dachsbun dera a ordem e supervisionava. A Tinkatuff contava com um braço enfaixado, mas mesmo assim foi ao forno de lenha e removeu uma fornada de pão acabado de cozer com o seu enorme martelo que mais lembrava uma pá.


A jovem contornou o local onde o Dachsbun se encontrara, numa distância segura à dele, e procurou um espacinho nas bancadas mais longínquas do centro da cozinha, onde pudesse tomar qualquer coisa que a ajuda-se a despertar mais. Ao mesmo tempo, não queria que sua presença incomodasse nas tarefas da padaria.


A fornada inundou o ar com um cheirinho delicioso. Juliana começou a verter água da boca, e sua barriga roncou, relembrando-lhe que ainda não comera nada. Sentou-se na bancada, em silêncio, refletindo sobre as horas tardias que acordara, e, sobre o mais importante: perdera os primeiros dias de aulas na Academia e o quanto aquilo podia ter um custo desastroso.


Preparou um café bem forte com uma máquina que tinha nas proximidades, e mesmo ainda escaldante, estava tão ansiosa que engoliu o líquido da chávena num trago.


Depois foi preparar outro.


Enquanto misturava a saqueta de açúcar no seu segundo café e mordiscava uns biscoitos, ao seu lado, um grande saco de farinha moveu-se. Do seu interior saiu um pequeno focinho de um crocodilo cor de areia.


O Pokémon contava com uma risca negra na área dos olhos, e observava a jovem com toda a sua atenção.



– Bom dia, Tolya – Juliana disse, ao se aperceber da presença da pequena Sandile ali dentro do saco, só com suas narinas e parte da cabeça de fora – Não te esqueces-te de lavar as patinhas antes de começar a trabalhar, pois não? – questionou, botando o dedo indicador na ponta do focinho da pequena crocodilo.


Tolya moveu o focinho para cima e para baixo, como quem respondia um ‘’sim’’, mas aquele observar tinha algo mais, pois era bem pesado, como se a Sandile a julgasse.


– Eu sei, eu sei, não devia beber tanto café… – Juliana esfregou os olhos ensonados.


A Sandile fez uma careta, como quem não gostava de café. Depois de ouvir a reação da humana, deu um salto para fora do saco, espalhando farinha com as patas numa área significativa da bancada em frente a Juliana.


– Querem usar esta parte da bancada? Se eu estiver incomodando aqui sentada podem avisar que eu saio. Mas quando eu acabar de comer quero ajudar vocês, ok?


Depois de organizar a nova fornada de pão no expositor, a Tinkatuff voltou para o interior da cozinha, chegando ali com um recipiente cheio de farinha, manteiga e ovos, para fazer massa. Depois de feita, esticou-a por cima da bancada, com o auxílio de Tolya que fornecia mais farinha. Quando via que era necessário, a fada usava seu martelo para amassar e esticar ainda mais a massa, depois largou seu martelo e separou a massa em várias bolinhas, sempre com a ajuda da pequena crocodilo.


O velho Daschbun abriu a boca, ensonado, e se elevou da sua cama, com o Skwovet em cima do seu lombo. O esquilo misturou açúcar e canela numa taça das proximidades, para já ficar pronto. O Daschbun idoso sentou-se ao lado das bolinhas, fazendo com que sua energia corporal ajuda-se as mesmas a levedar. Os Daschbun e suas pré-evoluções, os Fidough, eram Pokémon cachorro muito úteis em pastelarias e padarias devido a esta habilidade única, que acelerava em muito todo o processo de produção.


A humana observou os movimentos dos Pokémon com toda a sua atenção.


– O que estão a fazer? – Juliana questionou, encolhida devido à presença do cão e dos seus poderes curiosos.


Juliana sempre se encolhia na presença de Manjar, o conhecia toda a sua vida e mesmo assim não superara seu medo de cães. Senhor Nozes, como se já esperasse aquela pergunta vinda da jovem, se encontrava com um livro de receitas agarrado a sua felpuda cauda de esquilo.


Colocou o livro em frente da jovem, abrindo as receitas sagradas da padaria numa página em específico.


– Filhoses? Que santo caiu do altar para vocês hoje quererem fazer filhoses? – Juliana arqueou a sobrancelha ao ler a página e ver a ilustração que compunha a receita. Depois de bocejar, relembrou-se de algo. – Haa! É verdade, tinha aquela encomenda para terça-feira…


Terça-feira.


A palavra pesou-lhe na consciência.


Como ela se esquecera, por uma segunda vez, de configurar o despertador e comparecer na Academia?


Enquanto isso, as bolinhas cresciam num ritmo animador, porém, precisavam de mais farinha para não ficarem muito apegadas à bancada. Tolya, como parte do seu serviço, saltou do saco para a bancada e da bancada para o saco, para pulverizar a superfície, como se de um deserto de areia a farinha se trata-se.


Com todo o seu entusiasmo, deixou sem querer parte do conteúdo saco cair nos azulejos do chão.


O serviço de limpezas estava a cargo de um outro Pokémon crocodilo cor de areia, um pouco maior do que a Sandile, mas muito parecidos. O Krokorok, mal avistava uma migalha no meio do chão, vinha logo com o balde e a esfregona. Uma das regras da cozinha era manter tudo sempre muito bem limpo e em organizado, quando possível, logo, o Krokorok tinha um dos trabalhos mais importantes em manter tudo muito bem higienizado. Também era ele que tratava de lavar a loiça suja para que esta não acumulasse, apesar dos Pokémon do tipo Ground abominarem água.


Todos aqueles Pokémon tinham um ar bem feliz e se dedicavam bastante às tarefas da pacata rotina da padaria.


Juliana já estranhava a demora da sua mãe lá fora no bar da loja atendendo o cliente, e isso a deixava ainda mais ansiosa para quando ela regressasse. Os Squawkabilly também não paravam de piar, famintos. Depois se apercebeu da aproximação do Krokorok, que trazia um instrumento musical consigo, preso à suas costas por uma correia.



– Oh, olá Tamar. O que estás fazendo com minha guitarra?


O Krokorok removeu a correia de si, entregando o instrumento musical à humana com o gesto mais cordial que conseguia realizar.


– Hum… Queres que eu toque?


Ela recebeu seu instrumento precioso, mas logo o pousou em cima da bancada, numa área que não incomodasse tanto os trabalhos dos Pokémon. Deu uns acordes, procurando combater bloqueios e iniciar alguma melodia enquanto bebericava o seu café.


– Desculpa, acho que gastei minha energia toda ontem à noite, não estou agora com muita disposição para tocar.


Tanto Tolya como Tamar fizeram uma carinha de chantagem. Até mesmo Manjar, Senhor Nozes e a Tinkatuff sem nome mostraram-se desanimados. Lá fora, os papagaios pararam de piar para prestar atenção ao som melancólico que viera dos breves acordes, como quem pedia mais música, uma música a sério.


– Não olhem assim para mim!… – mas Juliana logo pensou melhor e sentiu-se mal por lhes estragar os ânimos, era impossível resistir à carinha fofa deles  – Okay, okay, posso tentar qualquer coisa.


Os Pokémon fizeram uma pequena festa, animados com a decisão, tanto que Tolya espalhou mais farinha pelo chão e lá teve Tamar que limpar o pavimento outra vez. Depois de rir pela reação dos companheiros, Juliana posicionou então a guitarra em seu peito.


– Ok. Esta é a música que eu estive a trabalhar ontem à noite, quando procurava o Cyclizar estranho.


E iniciou a sua melodia enquanto cantava.


Talvez, ela precisava mesmo daquele incentivo para relaxar e começar a tocar, pois as notas saíram harmoniosas e lindamente.


 

Olhei para trás, e me vi, no meio do mar;

Nem as estrelas, conseguiam, me guiar;

Dia e noite, à deriva, indo lés a lés;

Quando o ventoo-o-o arrancou o paraíso a meus pés.

 


Cintilante as estrelas lá no ar;

O único farol a faiscar;

Mas eu tola e cega nem as conseguia olhar;

Só sentia toda a torre a se desmoronar…


 

              A guitarra parou sua vibração, dando lugar a vários segundos de silêncio que mais pareceram horas. Os funcionários da padaria observavam, satisfeitos. Juliana tinha uma gota de suor a cair-lhe da testa, mas esperava que o seu breve espectáculo tivesse sido do agrado daquilo que aqueles seus amigos Pokémon desejavam.


– Acho que era algo assim a letra… – disse, indo com sua mão ao seu Rotom Phone – Deixem eu confirmar…


Mas antes de remover o objeto do bolso, sentiu um bater de palmas atrás de si.


Os Pokémon copiaram o gesto dos humanos que acabaram de entrar na cozinha, da forma mais desajeitada possível. Manjar até, apesar de rouco devido a sua idade, deu um pequeno uivo como quem queria cantar ao som da canção.


– Oh, mãe! Voltas-te! O que os clientes…


A adolescente olhou para trás, para ver quem mais a aplaudia, fechando logo a boca quando notara uma presença bastante intimidadora ao lado da sua. O homem tinha um sorriso de satisfação gravado na sua face por assistir ao pequeno espectáculo. Portava uns óculos que se encaixavam bem na cara e uma roupa engomada que se dividia em duas cores. De um lado, roxo como uva, e, do outro laranja.



– Oh… Hum… Olá… – a jovem encolheu os ombros.


Juliana não esperava que alguém entrasse assim na cozinha, e muito menos uma pessoa tão importante como aquela.


– Juliana, este é o Diretor Clavell – apresentou Haruka – Ele deseja falar connosco acerca da Academia.


– É um prazer conhece-lha, minha jovem, e já me encanta descobrir suas habilidades com música – disse ele, com uma breve vénia.


Era óbvio que Juliana já sabia quem era aquele senhor de meia-idade, mas era sempre bom ter aquela confirmação para se certificar que não estava mesmo a sonhar. Afinal, o Diretor da Academia Naranja e Uva estava mesmo à sua frente e era o tipo de pessoa que se avistava ao longe devido a sua postura irreconhecível.


Ali estava o Diretor! Logo depois deste ser o segundo dia consecutivo que ela faltava às aulas. Sem saber bem como reagir, procurou esconder parte de seu corpo com o instrumento. Algo também lhe viera à mente de forma repentina: não podia se apresentar em frente ao Diretor com aquelas roupas de dormir miseráveis, cheias de terra e com aroma a álcool derramado. Ela sempre ia para a praia de pijamas, na solidão da noite ninguém a via, e estava toda suja devido a sua longa caçada ao Cyclizar.


– Ma… Mãe… Eu… Eu… Eu ainda estou de pijamas! – gaguejou.


O Diretor nem sequer tinha notado esse detalhe, tal fora seu encanto com o dom da jovem. Começou a rir como reação a tanta preocupação da pequena.


– Não faz mal, menina, imagino o quanto é um incómodo. Vá lá se trocar e demore o tempo que precisar, enquanto isso irei tratar dos assuntos com a tua mãe.


– Mas primeiro vamos subir para um local mais adequado, pode ser? – sugeriu dona Haruka.


O Krokorok, num ato de gentileza, aproximou-se do Diretor, apontando para um envelope com papéis, um arquivador pesado e um casaco que o mesmo trazia consigo. Pelo ar, era óbvio que o arquivador pesava bastante, e não existia gesto mais simpático que auxiliar um convidado com a sua bagagem. Tamar adorava ter o papel de mordomo da casa.


– Não te importas mesmo de levar por mim? Oh que gentileza a sua, senhor Krokorok – disse o Diretor, com admiração.


Juliana prendeu a correia da guitarra em suas costas, e para tornar os pijamas menos óbvios, segurou em Tolya no seu colo, a apertando contra o peito. A Sandile não deu nenhum grunhido, já estava habituada em ser apertada pelos braços de Juliana daquela maneira em situações do género, onde ficava pior que fillet de Veluza em lata.


Até que gostava do mimo extra, e podia fazer ciúmes a Tamar.


Sua sorte é que sua mãe ia em frente com Tamar ao lado, guiando o Diretor pela casa, o que a fez soltar um suspiro de alívio por saber que ia avançar atrás dos dois e assim suas roupas desagradáveis não dariam tanto nas vistas.



A parte debaixo da casa era dedicada à padaria, sendo que mãe e filha viviam nos andares de cima, e para lá chegarem, tinham que subir uma longa escadaria existente num dos extremos da cozinha, perto da porta que daria ao jardim das traseiras.


As paredes da escadaria eram recheadas de fotografias, retratando cenas do quotidiano e da cultura de Paldea, paisagens do famoso farol de Cabo Poco, mas, principalmente, fotografias de família, muitas delas já de cor desvanecida, comida pelo sol. A maior parte delas eram de Juliana com a mãe em férias por Paldea, outras com alguns familiares e tios distantes aqui e acolá.


Para Juliana aquelas fotografias não eram assim tanto especiais, mas para sua mãe eram recordações belíssimas de tempos que não voltavam mais. Como é usual, qualquer estranho encontraria algo de interessante nelas, e Diretor Clavell endireitou os óculos, abrandando um pouco a subida mal dera pelas fotografias emolduradas.


Os degraus de madeira rangiam, como se estivessem a apodrecer, e o Diretor desequilibrou-se no preciso instante que passava por duas fotografias em específico.


Uma delas era uma criança pequena, muito sorridente, segurando uma guitarra (a mesma que Juliana tocara minutos antes), sentada nos braços de um adulto, cujo rosto fora rasgado do papel, mas, tento em conta sua estatura, era um homem. A outra fotografia tinha apenas Juliana de bikini numa praia, tirando uma selfie ao lado de Tolya e Tamar, que pareciam atacar a câmara, pois o ângulo centralizava suas bocarras e dentes afiados.


– Senhor Diretor, está bem? – questionou dona Haruka, preocupada, após sentir um pequeno estrondo causado pelo Diretor a se apoiar no corrimão, após tropeçar numa das tábuas afundadas do degrau.


Juliana quase caiu para trás com o desequilíbrio do homem em sua frente. Tamar foi até ele o auxiliar, pois era um Krokorok muito bem educado e não queria causar má impressão.


– É preciso ter mucho cuidado. Peço desculpa se não avisei mais cedo, mas algumas tábuas já estão a afundar e alguém pode tropeçar e cair. Já marquei um carpinteiro para arranjar mas ele está a demorar e…


No se preocupe, Señora Haruka, escadarias é o que eu mais estou acostumado – o Diretor disse com um sorriso, recompondo a pose, endireitando os óculos e suas roupas enquanto fitava as fotografias mais de perto. – E meus preciosos alunos também.


– Lembro-me bem dos meus tempos na Academia Naranja e Uva, aquela escadaria ainda é uma lembrança traumatizante – a mulher recordou-se, a rir.


Ela acompanhou a atenção do Diretor face à parede, apontando para uma fotografia mais antiga, onde era possível ver uma Haruka adolescente sentada nos famosos degraus com um grupo de velhos amigos. As torres da Academia embelezavam o plano de fundo da imagem.


– Se eu soubesse bem o que eu sei hoje, não me importaria nada de a ter subido mais vezes… – acrescentou, nostálgica. – Aih… Como os tempos voam!


Juliana já vivera tempo suficiente naquele mundo para saber que o adulto fingiu desequilibrar-se para ver melhor a parede e assim ter um pretexto mais educado em mexericar a casa.


Se ele estava habituado a escadarias, então como tropeçou?


Ele não estava apenas a apreciar aquelas fotografias: estava as avaliando, e queria arranjar um pretexto para questionar alguma coisa que visse, e essa ideia a desagradou imenso.


Depois de algum silêncio ali parado a recompor a pose, os olhos do Diretor desviaram sua atenção das molduras e das palavras que a mulher dizia e foram até a expressão séria de Juliana.


– O Krokorok e a Sandile são seus? – o Diretor apontava para a fotografia da selfie na praia, ao lado da fotografia da criança com a guitarra.



Juliana ficou corada, e apertou mais a Sandile.


Otima fotografia, entre todas tinha que ser logo essa, onde estou de bikini – pensou, tentando não falar o pensamento em voz alta como era o seu defeito, e respondeu ao homem apenas com um gesto da sua cabeça.


O Diretor mostrou-se muito admirado.


– Oh… Muito bem – apenas disse, dando uma caricia na cabeça de Tamar.


Se o crocodilo fosse humano, era provável ficar mais vermelho que um pimento.


A jovem sentiu-se ainda mais intimidada com o tom que aquilo saiu. Só esperava que sua mãe não se lembrasse de contar a história de cada uma das outras fotografias expostas, pois se tinha alguém que adorava mesmo aquelas fotografias ali dentro era ela.


– Foram os primeiros Pokémon dela – acrescentou a mãe, enquanto todos retomavam o ritmo da subida. – Ela os capturou no Deserto Asado certa vez quando foi visitar os avós a Porto Marinada.


– Oh, estou a ver… Nossas primeiras escolhas são sempre as mais importantes.


Graças a Arceus, não ficamos parados no corredor mais trinta minutos – pensou a jovem, mordendo os lábios e apertando os punhos a cada degrau.


Mas, ao mesmo tempo, ela não soube bem o porquê, sentiu que a frase do Diretor era apenas um foreshadowing para um sermão que ai vinha mal chegassem todos lá em cima. Por breves instantes, desejou mesmo que a mãe tivesse exposto toda a história da família para fora só para não tocarem no assunto mais recente.


Pelo menos, não ainda.



No topo da escadaria existia uma porta, que, depois de aberta, dava acesso à sala de estar. O local era simples e muito bem mobilado, enfeitado com plantas belíssimas, os sofás tinham um aspeto moderno e muito confortável, daquele tipo que nos fazia querer deitar lá e adormecer durante horas. Pelo tamanho da televisão, que cobria uma parte significativa da parede, era de se imaginar que Juliana e a mãe tinham uma situação financeira estável.


Num dos extremos da sala existia um espaço com uma garrafeira, uma bancada com uma placa eléctrica, microondas e uma máquina de café, prateleiras com loiça, caixas de cereais ou aperitivos, uma mesa redonda e duas cadeiras e um frigorífico, tornando aquele pequeno espaço semelhante a mini cozinha ou sala de jantar.


 Servia para brindar convidados ou tomar alguma coisa rápida só para não descerem até à cozinha de baixo a meio da noite devido, ao risco de cair na escadaria. Dona Haruka apontou para os sofás enquanto já estava a meio caminho da bancada, onde iria remover uma chaleira para aquecer água e preparar qualquer coisa para petiscarem.


– O senhor sente-se, esteja à vontade. Vou preparar qualquer coisa para nós… Quer dizer, se o senhor não se importar e gostar de chá.


– Não precisava de se preocupar com nada, Señora. Não queria ser muito mais incómodo… A senhora fechou a porta da frente da loja para atender somente esta reunião, me sinto lisonjeado por isso e isso basta.


– Tem a certeza que não quer mesmo nada? – insistiu Haruka, com um tom provocativo nas palavras, pois ela bem sabia as manhas que as pessoas tinham nas casas dos estranhos.


– Bom… Para ser sincero, eu não consigo rejeitar um bom chá.


O Krokorok pousou os pertences do Diretor num bengaleiro, depois seguiu Juliana. A sua treinadora fora na direção de um corredor com várias portas, que deviam ser os quartos, com o objetivo de tomar um banho rápido e se trocar.


Apesar de saber que era má educação, Juliana adorava coscuvilhar os outros na sua ausência, e, para isso, deixou a porta que dividia a sala de estar e esse corredor entreaberta, se encostando atrás dela para ouvir a conversa. Tamar não gostou nada daquilo, e começou fazer sinal e a puxar pelas vestes da humana, tentando a levar até a casa de banho, sem sucesso, para ela se despachar.


Após uns dez minutos, o chá ficou pronto, e a mãe distribuiu o líquido quente pelas chávenas. Foi ai que o silêncio entre os adultos fora, por fim, quebrado.


– Parece que esse chá está uma delícia! – disse o Diretor, apreciando o aroma. – Bom… Como eu estava a dizer lá em baixo…


– Senhor Diretor. Não precisava de se preocupar em vir até aqui, só por causa de um papel. – Haruka comentou, enquanto esperava seu chá arrefecer mais. – Podia ter telefonado, eu dava um salto a Mesagoza num instante. Não é assim tão longe.


– Não! Não! Vou direto ao ponto: os secretários da Academia se atrasaram com os papéis relacionados com a matrícula da Juliana.


Ao ouvir seu nome, a jovem encostou mais o ouvido à fissura da porta.


– Como Diretor e representante da Academia Naranja e Uva, eu assumo todas as responsabilidades – e neste momento levantou-se, expondo os papéis por cima de uma mesa que existia no centro da sala. – Portanto, vim entregar os papéis em falta pessoalmente. Só preciso que a senhora, como encarregada de educação da Juliana, assine aqui, aqui e aqui.


– Então a Juliana não perdeu nenhuma aula?


– Receio que não, como seu nome ainda não estava registado como aluna no sistema da Academia, se tivesse comparecido ontem ou hoje, era provável que não a deixassem entrar sequer pelo portão. Mas amanhã ela não pode faltar de maneira nenhuma!


– Até parece que ela estava adivinhando… – acrescentou Haruka, sem saber bem o que pensar sobre tudo aquilo.


Só quem passa por momentos de sorte que são assim caídos do céu sabe bem da sensação de alívio que fora arrancada do peito da Juliana. Menos uma coisa na lista de coisas pelas quais ela sabia que iria levar sermão. Enquanto isso, Tolya ainda estava cheia de farinha em seus braços, prestes a espirrar, Juliana teve que agarrar no focinho da crocodilo para abafar o barulho e não ser descoberta. Tamar continuou a empurrar a jovem e a manda-la embora dali, sem sucesso.


Vocês parem quietos – sussurrou Juliana para eles.


– Só vou precisar que a Juliana escolha o seu lado da Academia e esta parte burocrática fica concluída – Ouviu o Diretor dizer. – Em situações normais ela ficaria na Casa Uva, tal como todos os jovens que nascem no lado Oriental de Paldea. Mas agora, com aquilo que eu vi aqui hoje, tenho minhas dúvidas e prefiro que seja ela a tomar a decisão.


Naranja. Naranja. Naranja, sussurrou Juliana, como se tivesse já a decisão tomada na ponta da língua. Ela sempre preferiu a ideia de ir para o lado Naranja do que a ideia do lado Uva, como se isso fizesse uma grande diferença social entre os grupos de adolescentes e jovens de Mesagoza.


– Mas… Qual é a sua dúvida, senhor Diretor? É claro que ela ficaria na Casa Uva!


Lá está a mãe estragando tudo…


– Ela canta e toca muito bem – o homem observou. – Diz-me, se não for muito incomodo, existe algum motivo específico para ela ter escrito aquela música em português?


– O que o senhor quer dizer?


– Só estou curioso. É que… Sabe, não é todos os dias que se encontra uma jovem de Paldea Oriental recitando frases de Paldea Ocidental… Ela é bastante fluente na língua.


 Dia e noite, à deriva, indo lés a lés… – atrás da porta, a jovem cantarolou parte da letra da música. Pela primeira vez, desde a chegada do Diretor, que sentira um certo orgulho por ele ter testemunhado seu talento.


Neste momento, Tolya cansou-se de estar no colo, pois sentia-se aborrecida, e queria descer, tentando fugir dos braços da jovem, que a começou a apertar ainda mais, ansiosa por continuar a ouvir rumo da conversa. O Krokorok abominou a ideia de ver a carpete encarnada daquele corredor cheia de pegadas de farinha, e mostrou os dentes na direção da pequena Sandile.


Não te atrevas a botar os pés no chão, criança, vais tomar banho tal como Lady Juliana – rosnou ele.


Banho?! Não mandas em mim! Eu não vou tomar banho! – a Sandile assoprou de volta.


O diálogo prosseguia, entretanto.


– O senhor Diretor está a perguntar se Juliana já escreveu músicas no nosso espanhol? – Haruka expôs sua dúvida – Sim, claro… Ela já tentou, mas ela volta sempre ao maldito português. Eu sou sincera, eu não gosto…


– Humm… É a paixão dela, dá para ver ao longe no seu olhar.


– Eu sei – Haruka suspirou – Eu não a quero privar disso, ela é feliz assim e reconheço que ela é muito boa no que faz mas… Meus avós são de Kitakami, se mudaram para cá à muitos anos. É por isso que meu nome é de origem japonesa, mas eu nasci e cresci aqui em Paldea e não conheço outra realidade. Eu não quero privar a Juliana das suas origens da mesma maneira que eu fui privada das minhas.


Neste momento, Tolya e Tamar já se encontravam brigando, de tal maneira que fora difícil Juliana continuar a dar atenção ás falas dos dois adultos.


Parem com isso, vocês dois, ou voltam para as Pokéball, caralho – Juliana sussurrou-lhes.


– Cantar é saudável, ela só está se expressando. disse o Diretor.


– Mas… Eu não gosto que ela goste de algo que lhe lembre o mal… As vezes, parece que ela está a se atormentar a si própria… O senhor não vai compreender.


Fez-se um breve momento de silêncio na sala, que só era quebrado pelo sussurro vindo do corredor.


As pisadas de dois crocodilos de areia se perseguindo um ou outro às corridas já deixavam suas marcas: a carpete encarnada logo ficou toda sarapintada de branco. Um extra na corrida atrás de ambos era Juliana tentando parar a dupla com uma raiva desenfreada, tanta que só lhe apetecia gritar.



O corredor contava com um tapeçaria antiga pendurada na parede, uma das poucas heranças dos bisavôs paternos de Juliana. A tapeçaria retratava um grande mapa de Paldea. A Sandile deu um pulo e agarrou-se a ele, a rir. O Krokorok gritou, horrorizado, quando viu a criança escalando aquela peça antiguíssima.


– Acho que estou a compreender… – comentou o Diretor, enquanto tentava ler as entrelinhas.


– Está?... – Haruka surpreendeu-se, pois não esperava que ele chegasse logo ao ponto que ela se referia.


– Eu pesquiso um pouco sobre cada família de cada aluno antes das suas entradas… Pode chamar bisbilhotar, o que preferir, mas quero que saiba que olhar a vida privada dos nossos alunos e seus parentes não é o tipo de coisa de que eu me orgulho… Mas muitas vezes compreendemos os problemas e encontramos soluções é pelas suas raízes. Foi chocante… Posso dizer que lamento imenso o que vos aconteceu.


– É difícil explicar… Senhor Diretor, se estivesse no meu lugar, o que faria?


– Eu nunca fui pai a sério, mas considero todos os alunos que passam pela Academia como meus verdadeiros filhos. Eles passam tanto tempo lá que a Academia tornou-se a segunda casa destas crianças, e, portanto, eles tem que a ver como tal. Nas nossas mãos já passaram casos devastadores, e tivemos que lidar com cada um de uma maneira muito singular… – E fez uma pequena pausa para beber o chá, o líquido clareou a sua garganta.


A mãe olhou na direção da porta, estranhando a demora toda e a zaragata que não era comum, como se uma batalha enorme estivesse a ser travada fora dos quartos. O barulho da tapeçaria a cair gerou um estrondo devastador, e mesmo sacrificando o tesouro da família e lamentando a destruição que criaria quando o derrubasse, Tamar não apanhara a pequena desordeira.


Apesar do barulho todo, o Diretor continuou tranquilo na conversa, fingindo ainda não notar os sons sinistros e os grunhidos.


– Senhora Haruka, só digo para a senhora acreditar mais em si e na sua filha e se manterem unidas, que encontrarão as duas a solução certa para os vossos problemas. A Juliana ainda é uma adolescente a conhecer o mundo e…


Apanha-me se puderes! – brincou Tolya.


SAI DE CIMA DA CARPETE! CACETE! – rosnou Tamar.


EI, PAREM QUIETOS! O QUE VOS DEU HOJE? – Juliana soltou, tentando agarrar na cauda de Tolya.


Na tentativa de parar a Sandile, que era a que estava a se divertir mais no meio de tudo aquilo, o Krokoroc desferiu um poderoso Bite na cauda dela, segurando-a no ar com boca a meio do corredor. Como Tamar era mais forte, a dentada magoou bastante a Sandile, que imobilizou-se, a choramingar. Tolya não esperava tanta violência por parte do mais velho, mas era um castigo muito bem dado. Para Tamar, o castigo ficaria mais perfeito ainda quando  conseguir fazê-la limpar toda a bagunça gerada… Após o seu banho.



Porém, o pobre Tamar mal teve tempo de reagir quando notou Juliana correndo em sua direção e tropeçando em seu corpo.


A humana voou até a porta.


A porta abriu-se com o estrondo.


Tanto o Diretor como a mãe olharam para o lado, bem a tempo de verem a jovem cair com a cara no meio do chão da sala.


– A Juliana ainda é uma adolescente a conhecer o mundo e… e é uma grande coscuvilheira! Estou a ver, estou a ver! – disse o Diretor, um pouco chocado com o sucedido.


– Juliana, querida, estás bem? – a mulher correu até ela para a amparar. – E quando vais aprender a não ouvir as conversas privadas?


– Mas eu não estava ouvindo… – ela resmungou entredentes, ainda deitada no meio do chão.


De facto, não era totalmente mentira. Desde o momento que a briga entre seus Pokémon começara, que seus ouvidos se desligaram ao que os dois estavam a falar.


– Hum… Vou fingir que vou acreditar – a mãe arqueou a sobrancelha olhando melhor para as roupas da filha. Ela se mantinha igual, nem sequer trocara a blusa, que além de terra, agora estava cheia de farinha por causa da Sandile. – Pensando bem… Quando os Capsakid deixarem de ter dentes eu acredito.


Os dois crocodilos apareceram fora da porta, com ar de culpados devido ao sucedido e preocupados com Juliana. Quando se levantou, a primeira coisa que fez foi ver se sua preciosa guitarra estava intacta, e depois, foi com a mão às suas Pokéballs, botando ambos de castigo.


Já o Diretor aproximou-se devagar da jovem e tocou-lhe no ombro.


– Bem. Esquece os pijamas… E a sujidade… Veste um casaco cumprido que cubra essas roupas sujas, e vem comigo. Vamos à rua abafar a energia desses dois. Pode ser assim?



              Juliana seguiu a ideia. Correu até o armário e procurou o casaco de inverno mais cumprido que por lá tivesse, longo o bastante para cobrir o tronco por inteiro. Quem a visse iria se admirar por esta portar tal roupa pesada num dia quente como aquele, mas a sorte é que sua mãe sugerira o pátio das traseiras da casa, logo estaria longe dos olhares da vizinhança.


O exterior da casa era colorido, seguindo um sistema de decoração semelhante ao do interior com suas plantas e paredes cheias de azulejos. O jardim era muito floridos e continha vários cultivos aqui e ali de legumes, verduras e tubérculos variados em uma cultura sustentável, apesar de muitos estarem destruídos devido ao Cyclizar estranho que patrulhava as redondezas. Também existia muitas árvores de fruta, como laranjeiras antigas numa quinta dos arredores, onde Juliana na sua infância explorava muitas vezes.


O pavimento ao redor da casa, até a encruzilhada na rua mais abaixo de Cabo Poco era preenchido pelas pedras de calçada típica paldeana. A mãe dirigiu-se ao estendal, para certificar-se ver se as peças de roupa que estendera à meia hora atrás já estavam secas. Depois arranjou um espacinho para pendurar a tapeçaria numa linha á parte, já que aquela peça antiga não podia ser lavada, iria aspirá-la ao ar livre para remover a farinha.


              O Diretor foi para o meio do pátio das traseiras, com Juliana atrás de si, onde a calçada era mais ampla. Respirou fundo, enquanto observava o mar brilhante e todo o horizonte, e as flores e plantas do jardim.


              – Menina Juliana, peço-lhe o favor. Solta a tua Sandile e o teu Krokorok, eles precisam de apanhar esta maresia – pediu-lhe com educação.


              Apesar de não querer mais problemas hoje com aqueles dois, assim o fez. A jovem soltou os seus Pokémon. Tolya e Tamar ainda estavam muito zangados um com o outro, quase a se atacarem, mas o som distante do mar acalmou-lhes as atitudes e os pensamentos.


– É tradição da Academia, oferecer um companheiro aos alunos novos que acabaram de se matricularem e nunca tiveram um Pokémon só seu antes – começou o Diretor para Juliana e seus dois amigos. – Acontece que isto sofreu uma modificação meses atrás, que é a seguinte: se o aluno já tem em pose mais de dois Pokémon, não teriam direito ao presente, pois este é mais visionado a jovens que nunca antes se familiarizaram com um Pokémon próprio.


              A rapariga sentiu-se decepcionada. Era óbvio que ela queria um companheiro novo, e já ouvira falar antes na grande tradição da Academia, uma das poucas coisas que ela mais ansiava acontecer quando fosse a Mesagoza pela primeira vez.


Ai Juliana lembrou-se: mesmo se tivesse direito a algo, era possível não o receber, pois, além de ser apanhada a coscuvilhar e faltar aos dois primeiros dias da Academia, provara-se uma péssima treinadora: destruiu o corredor da casa pois mal conseguiu controlar uma Sandile irrequieta cheia de farinha e um Krokorok que fica dando uma de mordomo educado que gosta de banhos quentes.


              O Diretor esboçou um sorriso no canto da boca, pela surpresa da jovem.


              – Mas, como és uma jovem bem especial, considera isto uma oferta.


Diretor Clavell atirou ao ar três esferas bicolores e três criaturas de ar engraçado saíram do feixe de luz.


Juliana observou-os, completamente maravilhada com o que estava acontecendo, enquanto os três pequenos também analisavam a sua potencial treinadora.


O inicial do tipo Grass era um gato de pelo curto, com uma grande mancha de verde mais escuro na cara, pescoço e orelhas. Seus olhos redondos lembravam bagas de uva, e o pequeno nariz rosa lhe enchia a expressão com ainda mais vida.


Depois surgiu um patinho vaidoso e de ar confiante. Tinham patas azuis e o cabelo na cabeça lembrava em muito o chapéu de um velho marinheiro de outros tempos.


Ao lado do patinho vaidoso, estava um crocodilo de pele encarnada e de face pálida, com uma expressão folgada. Ele bem ficou uns breves instantes olhando a jovem, mas logo caminhou na direção de uma laranja caída de uma das árvores. O sol fazia a pequena crista no topo da sua cabeça brilhar intensamente.



– Seus nomes, Sprigatito, Quaxly e Fuecoco, repectivamente. Digam olá – apresentou o Diretor, e os três reagiram á humana, que se agachou para os receber. – Vá lá! Escolhe à vontade! Um deles será teu! E um novo amigo para toda a vida – e depois olhou para a Sandile e o Krokorok, a rir – Se esses dois darem-te autorização para a presença de um companheiro novo, é claro.


Um de vocês, como desejo de Lady Juliana, será bem-vindo a nossa humilde casa – Tamar grunhiu, realizando uma vénia cordial.


Oh, mais um desgraçado para fazer sofrer – sorriu Tolya, mostrando os dentes de forma paranóica, mas sendo ignorara pelos três com sucesso.


Como qualquer jovem, que ficava meses a pensar em qual seria a escolha do inicial antes da chegada do grande dia, era claro que Juliana já sabia o que fazer. A jovem pulava de alegria, tanto que Tolya e Tamar sentiram-se envergonhados pela sua treinadora começar a disparatar, mas eles próprios também estavam curiosos em conhecer mais sobre as visitas. Ao longe, Haruka sorria, relembrando-se do entusiasmo tudo o que sentira no dia que recebera o seu Fidough.


              A adolescente sentou-se no meio do chão de calçada em frente aos três, já com a sua guitarra posta ao peito. Se era uma escolha tão especial, queria um companheiro que partilhasse do mesmo gosto musical que ela tinha, tal como Tolya e Tamar, que adoravam cada canção que ela tocava.


Os Pokémon papagaios saíram das árvores e pousaram no telhado da casa, e os funcionários do interior da padaria espreitaram pela janela, mal ouviram os primeiros acordes.


– Então. Qual de vocês os dois gosta de música? – Questionou ela para a Sprigatito e o Quaxly.


Fuecoco mordeu a sua laranja, sem se importar de ter ficado excluído. Bem lá no fundo ele sabia que não seria escolhido. Juliana já tinha dois crocodilos, não precisava de mais um crocodilo desordeiro para lhe pôr os cabelos em pé.


Quaxly observava as nuvens, distraído, depois foi até uma torneira de água numa pequena fonte ao pé da mangueira do jardim, brincando com a água que se acumulava na bacia a cada gota que caia.


A Sprigatito lavava a face com a sua pata, sem se importar se a humana estava a falar com ela ou não. Também seguiu uma direção que lhe interessasse, no caso, dirigiu-se a um enorme canteiro do jardim, onde apreciaria o perfume das flores coloridas.


– Publicou difícil… – a rapariga murmurou, começando a tocar nas cordas da guitarra.


Talvez tocar despertasse naqueles monstrinhos alguma coisa que a ajudasse na decisão. No início daquele dia sua vontade para a música estava uma lástima, mas ali fora, com aqueles novos amigos e olhando melhor o bom tempo do dia, o chamado da inspiração fez-lhe um arrepio maior na pele. No interior da padaria, Manjar começou com alguns uivos para acompanhar as notas. Tolya e Tamar batia nas pedras da calçada. A Tinkatuff sem nome e o Skwovet pegaram em vários utensílios de cozinha, para fazerem seu próprio barulho acompanhando a melodia da jovem. Os Squawkabilly do topo do telhado pararam seus piares de excitação, fazendo seus corpos serem levados pelo ritmo do som da guitarra como pequenos bailarinos.




– Como é que a sua filha… – o Diretor começou, abismado.


– Ela passa muito tempo em casa. Eles praticam – respondeu a mãe, em tom baixo, para não interromper.


O grupo rapidamente transformou-se numa orquestra coordenada pela rapariga. Não era das melhores das orquestras, nem das mais talentosas, mas um grupo bem casual, onde a música que saia de todos era feita de paixão.


A Sprigatito piscou os olhos na direção de Juliana, Quaxly também aproximou-se. O Fuecoco não ligou nenhuma, e continuou a tentar descascar a sua laranja, chamuscando-a com suas chamas por completo.


A rapariga estava prestes a fazer a sua escolha, enquanto media a aproximação dos dois e o interesse destes por aquilo que ela fazia. Porém, o som que saia do seu instrumento musical foi interrompido rapidamente, obrigando-a a parar.


O telefone do Diretor Clavell estava a tocar.


– Oh, a esta hora? Deve ser importante, se me derem licença, preciso de atender – e o homem foi com a mão ao telefone para atender.


Ele afastando-se, decepcionado, um pouco mais para o interior do jardim, onde iria ter mais privacidade.


Haruka olhou para a filha de modo bem pesado, como quem dizia ‘’nem tentes ir coscuvilhar’’. De qualquer das maneiras, Juliana tinha boa audição e conseguiu captar boa parte daquilo que o Diretor discutia.


 – Sim?... Aconteceu alguma coisa?... O QUÊ?... Mas ele…  Ele está bem?... No Hospital?!... Oh… Sim… Estou a perceber… Sim… Sim… Okay… Ambos podem ser transferidos para a enfermaria da Academia, se for esse mesmo o desejo dele. Ok… Ok… Ok… Vou já a caminho.


E desligou a chamada, olhando para mãe e filha com imensa preocupação no olhar.


Tamar entendera logo que o Diretor se ia embora, e apressou-se em ir buscar as coisas dele ao interior da casa. Quando o Diretor as recebeu de volta, começou a se despedir.


– Oh, parece que chegou a hora de me ir embora… Aconteceu um imprevisto grave com um aluno que está debaixo da minha tutela. Vou ter que regressar a Mesagoza imediatamente.


– Mas… Já? A Juliana ainda nem escolheu o seu Pokémon – senhora Haruka comentou, decepcionada.


– Gostaria imenso de ficar mais um bocadinho e ver qual deles ela vai escolher. Me desculpem – e realizou uma vénia educada, olhando para a mulher – Mas isto é muito importante e não posso gastar nem mais um segundo… Obrigado pelo chá, gostei imenso de conhecer a senhora e ouvir a música da sua filha. Sua casa é bem agradável, e confio que sua filha ainda será um dia uma das nossas melhores alunas.


– Eu que agradeço, senhor diretor – a mulher acenou-lhe, ainda processar toda aquela pressa.


O homem então começou a se distanciar. Juliana notara que ele não iria levar os Pokémon consigo, pois não os retornara para a Pokéball de cada um.


– Espera, senhor Diretor! O Diretor tem a certeza que eu posso ficar com os três aqui?! – Juliana gritou na direção dele, que se afastava cada vez mais de tão apressado que os seus passos eram.


– Escolhe um, Juliana. Apenas UM! Os restantes leva-os até Nemona, que depois eles voltam para mim através dela. Vê se não os perdes! Ou então, devolve amanhã! Meia hora antes de ires às aulas, passa pelo meu escritório! – e repetiu o aviso. – MEIA HORA ANTES DAS AULAS! VÊ LÁ SE NÃO FALTAS!


O Diretor já se encontrava a contornar a casa, e mal se apanhou na rua da frente da padaria, longe da vista de Haruka e Juliana, correu devido a sua pressa toda, desaparecendo no trilho entre as árvores em direção a Los Platos e Mesagoza.


Juliana voltou para o lado dos três Pokémon, que estavam cada vez mais inquietos, desejosos em explorar melhor os arredores. Como ela iria cuidar daqueles três? Qual deles iria escolher?


E, o mais importante, acima de tudo…


– Mãe… Tens ai o mapa de Paldea à mão, não é?


– Sim, estou a limpar a tapeçaria do corredor da sujidade que aqueles dois fizeram – comentou, fitando diretamente os crocodilos de areia, que se encolheram, sentindo a culpa pesar-lhes. – Porque perguntas?


– Mãe… Podes ver ai onde fica Nemona?



Tanto a jovem como a mãe analisaram a tapeçaria, mas não viram nada com esse nome nos arredores nem nada parecido no mapa. Juliana procedeu então a modernidades, confirmando os locais com recurso a seu Rotom Phone, mas não valia muito, pois o mapa de Los Platos e Cabo Poco ou não era atualizado no sistema fazia anos – ou então o local não existia mesmo de maneira nenhuma. Juliana explorava todo o local desde que se lembrava, se existisse algo assim, ela sabia-o.


– Acho que Nemona não é um local, filha – comentou a mãe.


– Talvez seja uma pessoa, o nome não me é estranho, tenho certeza que já o ouvi em algum lugar…


– Talvez podes perguntar à vizinhança – sugeriu a mulher.


Quando olhou para o lado, para ver o que a Sprigatito, Quaxly, e Fuecoco andavam a fazer, Juliana entrou em choque. A Sandile e a Krokorok olharam ao redor, pois também se tinham distraído uns miseráveis segundos.


Os três Pokémon do Diretor ainda agora estavam ali.


Mas tinham desaparecido… Eles bem estavam inquietos para desaparecer de vista.


– Só faltava mais essa agora… – bufou.


– Tenho que voltar a abrir a porta, acho que já perdi clientes na loja… E ver se aqueles me destruíram a cozinha – senhora Haruka apontou. – A Sprigatito, o Quaxly, e o Fuecoco agora são tua responsabilidade. Vai á procura deles.


– Ótimo… – Juliana resmungou entre dentes, por ver que não teria ajuda da mãe e iria se virar sozinha.


Agarrou a sua guitarra, recitando alguns versos improvisados na companhia de várias notas. Não eram rimas lá muito boas, mas foi o que o, no momento, lhe surgiu melhor na ponta da língua.

 

Entre o pão e o farol;

O gato, o pato, e o crocodilo;

Debaixo de um sol escaldante;

Caminham um rumo errante;

Malditos sejam.


 

– AGIAHHHHH  AGIAHHHH – O som súbito não fora proferido pela jovem.


Naquele mesmo instante, sua espinha arrepiou-se, quando um rugido foi sentido por entre as árvores, lhe interrompendo o verso.


Era um rugido bem alto. Juliana olhou para cima, avistando grupos de Pokémon voadores a levantarem voo, preenchendo o céu.


Ela conhecia bem aquele som. O som de um predador enorme nas proximidades.


O som do seu tão ambicionado Cyclizar estranho.


Ele estava perto.


Bem perto.


E daria um toque muito especial e ainda mais entusiasmante a toda a sua busca.

 

E para piorar;

Lá está o grito triunfante;

E assim, esta tarde;

Uma caçada vai se iniciar;

De um lagarto;

Preparando um almoço repugnante;

Com suas novas… Presas.


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  1. Diga Shii!

    Depois da breve introdução no capítulo anterior, agora sim temos a devida apresentação da Juju! Até aqui, sem sombra de dúvida, a personagem mais cativante que você nos trouxe. Não lembro se comentei isso no capítulo passado, mas fazer dela uma personagem intimamente relacionada com a música é um toque de originalidade que a torna muito interessante. E essa é justamente a rota de fuga dela de sua própria dificuldade em participar de interações sociais.

    A aparição do Clavell já deu aquele frio na espinha da nossa querida matadora de aula, mas aqui foi provado que Juju não fez nem cerimônia de já começar a história abusando da sua sorte de protagonista kkkkkkkkkkkk Espero que a partir daqui ela comece a frequentar as aulas, até pra não causar problemas.

    E quando uma coisa dá errado, tudo começa a dar errado junto. Os três Pokémons do diretor sumiram, o Cyclizar esquisito voltou a andar por aí grasnando igual louco em plena luz do dia, e a coitada da Juliana ainda não sabe nem o que é uma Nemona.

    Ótimo capítulo, Shii! Vamos continuar nesse ritmo.

    Até a próxima! õ/

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    1. Sombrinha! Juliana é uma personagem que eu criei uma afeição muito rápido, espero estar a conseguir deixar ela consistente! Sempre tive problemas com personalidades de personagens, e as vezes é complicado analisar e manter tudo no seu padrão, mas pouco a pouco eu vou conseguir! Já foi um começo dar a Juju este traço tão único, apesar dela ser a tipica adolescente irresponsável que se distrai e por causa disso falta às aulas.

      Perdi a conta das vezes que estas sortes loucas aconteciam comigo na época quando estudava, decidi dar um toque disso em Paldea também!

      Obrigado pela sua presença TAMARAVILHOSA aqui, Shadow! QUE VENHAM os próximos capítulos!

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  2. AMEI!! Esse capítulo foi muito bom!! Eu tô cheio de teorias e curioso, para ver como tudo vai se desenvolver!
    Fuecoco parece que vai ser o conquistado pela música, o que me anima muito já que a evolução dele é um cantor e seria ótimo ver ele junto com a Juli cantando.
    Do Diretor, eu acho suspeito essa ida ao hospital, deve ter algo rolando 👀
    Quanto a mãe da Juli, me preocupo um pouco com o passado dela :/ ela parece ter sofrido algum trauma, o que deve ter haver com Ex, que espero eu, se aparecer não seja um babaca, de eu não eu mesmo dou uma coça nele!

    Finalizo, dizendo que estou adorando o lado musical da Juliana, ele tem uma personalidade muito cativante e me anima imaginar ela cantando, outro ponto que gostei foi haver tanto Uva como laranja, e não só uma das academias, o que pode dar uma dinâmica legal de rivalidades ou não, estou ansioso para descobrir nos próximos capítulos, penso se veremos um pouco mais da escola em capítulos futuros e como será a interação de Juliana e Nemona (minha segunda personagem Favorita dos jogos) perdendo apenas para Penny que também espero ver em breve, tendo amizade com a Juli.

    <3

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    1. AAA OBRIGADO! Fico muito feliz que gostou <3<3

      Passado da mãe da Juju e da própria Juju ainda é um ponto muito novo na minha cabeça que eu não faço a mínima ideia como vou desenrolar. Já me habituei à ideia que hoje em dia é quase uma regra protagonistas terem algum tipo de trauma, de qualquer das maneiras, estou seguindo o que meu coração e as próprias personagens dizem para eu fazer.

      Sobre a Nemona, ela é uma personagem complicada de trabalhar, mas como é uma das favoritas do pessoal, espero que a minha versão dela seja do agrado de todos! Posso dizer que no Capitulo 3 ela já vai dar a cara kkk

      Abraços! E até a próxima!

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  3. Oi Shii!

    Acho que percebi uma mudança de ritmo neste capítulo, em comparação aos dois últimos. Este capítulo pareceu ter mais elementos cômicos, o que não é necessariamente algo ruim, mas é uma observação interessante a se fazer.

    É ótimo ver que a Juju está se tornando uma personagem querida e que a sua abordagem original de relacioná-la com a música está sendo apreciada.

    Digo desde já que acho que ela irá ficar com Fuecoco, acho que a personalidade de ambos combina bastante sem contar que será incrivel ver mais um crocodilo se juntar ao bando.

    Estou super animado para ver o tão aguardado encontro entre Juliana e Nemona! A personagem da Nemona vem conquistando meu interesse cada vez mais, e mal posso esperar para ver como a dinâmica entre elas irá se desenrolar. Embora tente não criar expectativas muito altas, estou curioso para ver como elas vão interagir, já que parecem ter personalidades semelhantes, pelo menos se compararmos com a Nemona dos jogos.

    Parabéns pelo capítulo e estarei aqui para o próximo! Um abraço.

    Até logo!

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    1. Eu sou horrível a escrever comédia. Não era bem minha intensão, mas de certa maneira fico feliz em ver que acharam alguma coisa engraçada aqui kkk

      Eu tenho medo quando alguém menciona mudança de ritmo, porque significa que alguma coisa está a descambar para o lado kk Eu já reparei que não consigo manter certas coisas a longo prazo, mas é para isso que estamos aqui a escrever e a praticar. A cada dia aprendo algo novo sobre criar histórias! O que fazer ou como evitar algo, e isso me faz apreciar ainda mais as histórias de quem me rodeia, pois eu admiro muito a forma como todos enfrentaram aquilo que para mim é uma dificuldade e entregam um trabalho incrível!

      Nemona está um pouco difícil de escrever. Mas ao mesmo tempo, estou a gostar de me desafiar com ela! Não sei se ela vai ser tão marcante como nos jogos, mas espero fazer algo no mínimo decente com ela.

      Até a próxima!

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  4. Bom dia Shiii

    Parece que chegamos ao meu primeiro comentário por aqui, sim acabei por não comentar o prólogo que contava a história da menina Sada, ou o capítulo um e as consequências que Arvim vive por causa do livro falando de sua mãe.

    Mas hoje eu estou aqui e venho dizer que estou me inspirando em sua viajem por Paldea, devo até dizer que você me motiva a reviver Neo Sinnoh.

    Caracas, menina mal começou as suas aventuras e já tem 3 jacaré!

    Nem venha me dizer que é só dois pq eu sei que a cantora vai escolher o cantor, Juliana vai ser a treinadora de lagartixa!

    Por enquanto é isso, logo leio mais de sua história!

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    1. Juliana treinadora de lagartixas é uma ideia tão boaaaa AAAAAAAA mas será que a personagem quer mesmo isso para sua vida? Só o tempo vai dizer kkk Tenho uns bons planos para ela, mesmo que não seja o que o pessoal pensa que vai ser, acredito que vão gostar.

      E eu fico muito feliz em ver que estou sendo inspiração para alguém! Estou a dar meu melhor como escritora e quero aprender mais e melhorar no que faço! VAMOS PRODUZIR!

      Muito Obrigado pelo comentário Anan! Até a próxima! E quem sabe, voltaremos a nos reencontrar em Neo Sinnoh!

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