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Neblina || Arquipélago || Efervescente - Escrevendo pelas Palavras
Em busca da Ilha Encantada - Outras Histórias e Textos - Escrevendo Pelas Palavras
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Sinopse: Porque tudo teve um inicio no mar da fantasia... Onde se quebra todo o quebranto...

Notas da Autora: História Inspirada no universo apresentado pelo desenho animado Summer Camp Island, com um mediano toque de reflexões pessoais. Com descrições que contam com vários sentidos, apelando á interpretação própria de cada um. Texto livre de qualquer tipo de spoilers relacionado com o desenho em que foi inspirado, sendo que também não é necessário assistir o desenho para ler este texto, sendo que quase nenhum elemento deste tem relação alguma.
No seu final, decidi incluir um pequeno poema que escrevi em 2017. Apesar de pequeno, considero um dos mais belos poemas alguma vez criados por mim, e por isso, muito especial.
Escrevi esta história em 2018 ou 2019, cheguei a publicar a mesma no Spirit, mas removi em 2022 pensando que iria utilizar seus elementos em outro projeto. Hoje decidi republicar a mesma.

Deitada no chão. Abri os olhos. Olhei o céu claro no anoitecer. Sorri. Um sorriso estranho e sincero, enquanto ouvia o bater das ondas rasgando o velho cais, da velha ilha onde nasci e sempre habitei, cais este de rocha desgastada, que nesta ilha velha sempre existiu desde tempos do sei lá.
A lua não tardou a iluminar o meu redor por completo, acompanhada por uma fria escuridão, obscuro ficou imediatamente o redor meu assim. Sempre ali, sempre embalada pelo mar e suas grades frias, senti que queria ir mais longe, senti que á muito estava presa ali... Presa mesmo ali... Ali... Mesmo...
Suspirei, e fechei novamente os olhos. Deixai minha mente fluir. A cada passo que dava, a cada letra que escrevia... Senti que tudo vinha... E ia... Sem explicação alguma... Apenas fluía, fluía vindo do meu mais interior eu, do meu mais interior ser... Uma busca eu fazia, imaginário eu exercia, ali deitada... Sim, uma busca eu fazia... Eu sempre fluía... Como um rio, que acabaria na costa, alimentando um mar de boa vida, um mar de desejos concluídos... Ou seria um mar de trabalhos iniciados e tantas outras coisas, ainda por terminar?...
Á minha mente, chegava personagens, figuras de todos os cantos e feitios. Desde elefantes a pandas, animais, mamíferos, omnívoros ou carnívoros.... Simples galinhas tiveram até mesmo uma interpretação especial, até mesmo seres lendários do imaginário popular, como fantasmas, ou antigas criaturas colossais, como dinossauros, participavam quase inconscientemente neste pequeno universo só meu. Dotados de toda a cor, de todo o encanto. Um sonho só meu. Apenas meu. Tão simples, mas muito especial. Tão genérico, mas tão grande e de uma beleza surreal.
Um só meu universo novo em expansão, recheado de incontáveis detalhes, incontáveis coisas que eu via, ou lia, ou apenas sentia... Onde magia existe, onde tudo se encaixava tão perfeitamente. Me sentia bem, muito bem... Tantas coisas difíceis de explicar, eu via tantas palavras magnificas que não podiam ser lidas, e tantos desenhos, ilustrações esbeltas, que jamais ninguém conseguiria escrever em textos totalmente fluidos.
Deixei de lado, o vento que embatia em minha pele, o aroma do mar que invadia minhas narinas, a prisão que os rochedos criavam em meu corpo, com suas grades desgastadas, as pessoas que me torturavam, com suas piadinhas e conversas mesquinhas.... Tudo o que meu corpo sentia ao redor. Tudo isso deixado de lado, completamente ignorado... Aproveitando profundamente tal doce momento de reflexão... Finalmente, livre.
Até ouvir um barulho. A buzina de um barco. Despedaçado em instantes meu imaginário foi. Abri os olhos e ergui meu corpo. Navio recém atracado na costa. Cais novamente movimentado, de gente em direção a cada lado, enquanto os sons e suas novas cores, iam aos poucos, destruindo meu mundo irado.
Voltei, assim, naquela fria noite, a contemplar o cais, observar o vasto mar. Novamente, assim, presa, até o amanhecer. O novato sol do novo dia dava uma sensação mais fresca em tudo, mas não em meu interior...
Estava novamente presa... Estava novamente só...
Procurando algo para me libertar... E assim, aqui estou... Neste lugar...
Imortal cais, rochedo da chegada e partida
radiante sol toca lá no alto...
nesta nobre formosa montanha da ilha
tudo se converte asfalto...
mas, é no mar da fantasia
uma transformadora clara maresia
o grande, sedoso, ileso encanto...
onde se quebra todo o quebranto...

A escritora que não conseguia escrever - Outras Histórias e Textos - Escrevendo Pelas Palavras
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Sinopse: Tanto um dia, ela poderia ser a escritora que já não sabia escrever... Como no outro, a escritora que conseguia escrever de tudo.

O lume brando abanou numa leve brisa, fazendo todas as sombras do escuro cómodo dançarem ao redor de si.
Ela bem queria intensificar a chama, mas o óleo da lamparina já ia em pouco e precisava durar mais uma semana, pelo menos até a próxima paragem para abasteceram e recuperarem a reserva. O ideal seria mesmo, naquela escura noite, deitar-se e apagar a mesma para a poupar, mas algo em seu interior demonstrava um desejo profundo em se manter até o amanhecer sentada na sua secretária, em frente a uma folha de papel.
Uma pálida folha de papel, tão vazia e assustadora como a própria escuridão que a circundava além da chama da pequena lamparina, única fonte de luz que detinha em mãos.
A mulher suspirou, encarando o desafio que tinha em frente. Cada linha em branco chamava por ela, ansiosa em ser preenchida por grandes conjuntos de palavras que dariam vida a personagens do seu imaginário.
Detinha alguns lápis e canetas, além de uma máquina de escrever, mas sempre preferiu a boa e velha pena e jarro de tinta. Acreditava que tal processo arcaico dava um charme maior a seus manuscritos - cada pincelada entregue na superfície lisa, uma onda de prazer emanada, e ela não precisava de sentir mais nada… Além de esperar o momento certo para dar vida á pena nas asas da sua inspiração.
Molhou a ponta na tinta nanquim - também em pouca - e tentou rabiscar qualquer coisa. Mas o branco vazio encontrava-se tão intenso que era difícil dar luta. Parou pouco tempo depois, e insatisfeita com as pouquíssimas letras que finalmente conseguira, deitara o papel fora, atirando-o, amaçado, para o interior de um balde já cheio de papelada. Todas num machucado estado igual, e de tão cheio que o balde se encontrava, muitas dessas bolas descartadas rolaram no chão até o outro lado do cómodo.
Elevou o corpo, e abriu a janela. Precisava de apanhar ar. A carruagem ainda mantinha-se em movimento. De vez em quanto eram sentidos solavancos devido a algum buraco na estrada, mas nada que incomoda-se. Estava a ser uma jornada tranquila.
Olhou para as estrelas e deixou o ar gélido da madrugada embater em sua face, pensando que este lhe iria renovar todos os sentidos necessários em continuar sua obra.
Lá fora, todo o mundo pelo qual passava parecia vazio, tal como ela. Mas… Se ao menos ela conseguisse preencher algo naquele mundo…
Perdera a noção do tempo, á quantas horas estaria acordada? Será que dormir até o amanha não seria uma solução para seu bloqueio criativo?
A mulher foi com a mão ao bolso, removendo uma caixa de cigarros. O cinzeiro no beiral da janela já estava cheio de beatas, indicando que já fumara mais do que aquilo que devia naquela noite. Familiares e amigos á muito a avisavam para parar de fumar, que era prejudicial e só trazia gastos e problemas, ela não ganhava nada com aquilo, mas ela não conseguia ainda evitar tal vício.
Por instantes, até que a verdade seja dita, ela hesitou. Será que devia poluir o ar ou continuar a apanhar com o vento puro? Voltar para sua secretária e tentar mais uma vez escrever em vão, em vez de manter-se a procrastinar?
Acendeu o cigarro mesmo assim. Inalou o fumo e segurou-o alguns segundos antes de o soltar para fora, esvaziando seus pulmões num longo suspiro. O vento da carruagem fez metade do fumo entrar no interior, a outra metade desvaneceu para longe como uma nuvem.
Sentia-se fracassada, já escrevera tantos trabalhos, tantos rascunhos, muitos nem veriam a luz do dia numa publicação se não tivessem a oportunidade perfeita… Porque é que acontece? Porque é que tal bloqueio voltava sempre a acontecer? Podia-se dizer que já era considerada uma escritora bem-sucedida, com alta experiencia, mas o sucesso nem sempre vinha com a resposta certa a todos os desafios ou segredos que apareciam no caminho desde o início.
Autores bem mais experientes do que ela costumavam dizer que nem tudo se conseguia exprimir por palavras, por isso era um desafio enorme fazer as palavras exprimirem parte de todo o sentimento que elas não conseguem exprimir.
Tragou outra vez o cigarro. Parte da sua nuvem de fumo voltou a inundar o cómodo. A chama oscilou outra vez, minúscula, como uma pequena estrela. Desviou sua atenção da lamparina e encarou o céu. O vasto universo, tão cintilante sobre si.
No horizonte, entre enigmáticas montanhas distantes e florestas desconhecidas e sem nome, pôde notar um primeiro resquício de amanhecer. O céu aos poucos mudava de cor, abraçando as cores da alvorada, entregando um novo dia. Por instantes, lembrou-se do movimento da lua, das estrelas, da chuva, do céu... Do interminável círculo que era viver… Pensamentos passageiros de alguém ensonado, aquelas coisas que surgiam do nada quando menos se espera em nossas cabeças, mas que tinham sempre fundos de verdade.
Quando terminou o cigarro, voltou a sentar-se na secretária, sentia-se estranhamente revigorada. Acompanhar aquela parcela do amanha fora bem inspirador.
Do nada, notou que a folha de papel já não estava tanto assustadora assim, pelo contrário, que era capaz de preencher aquele pequeno pedaço de papel simplório com tudo o que lhe viesse á cabeça.
E antes que pudesse se esquecer, molhou a pena e anotou o pequeno facto que acabara de se aperceber.
‘’Vivemos num círculo’’
Amava escrever, era sua paixão e não queria desistir de tal como muitos faziam mal se sentiam rebaixados. Se ela desistisse, quem iria contar todas as histórias que só ela poderia contar? Quem iria escrever as mensagens e lições de vida de certa maneira, maneira á qual só ela podia usar para os outros ajudar? Quem iria dar vida aos personagens que só ela podia e conseguia criar?
Depois daquela frase, sentiu mais uma nota tocar em sua cabeça. Finalmente, o chamado de uma nova melodia, o clique abençoado dos artistas. E depois do ‘’Vivemos num círculo’’ escreveu naquela madrugada tantas palavras seguidas que seguiam fielmente o que ela desejava criar… E concluiu mais um capítulo.
Sentia-se melhor do que nunca.
Mas sabia que era passageiro… Tal como a tristeza e a felicidade, ambos não duravam para sempre e se complementavam um no outro, trocando constantemente de lugar.
Mais tarde podia voltar a regredir, quando cansada, ficaria outra vez desmotivada. Mas depois da noite escura, o dia voltaria, e a melodia da inspiração animava a pena e a sua tinta entre os dedos.
E sentir-se-ia melhor do que nunca outra vez.
Finalmente compreendia que tal fazia parte do ritmo próprio do processo natural das coisas.
Tanto um dia, ela poderia ser a escritora que já não sabia escrever.
Como no outro, a escritora que conseguia escrever de tudo.
E com cada folha branca em mãos, só tinha que persistir para se manter dentro do círculo, e nunca desistir de amar combater aquilo.

































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